A nova fase do quadrinho nacional e o financiamento coletivo fazendo parte dela


Creio ter pego três fases do quadrinho nacional contando com a atual, lembro da  marcada pelo veiculado em fins da ditadura no Pasquim misturado com charges e caricaturas, naquele momento também tinha muita coisa sendo publicada na Balão, pelo Henfil na sua Revista Fradim e outros.
Vivi mais intensamente as outras duas, a que tinha como forte símbolo a Chiclete com Banana e demais publicações da Editora Circo, estes anos também tinham muito material bom saindo nas páginas da saudosa Animal(material que merece uma republicação), nas páginas da revista Porrada e outras mais, os álbuns não eram o forte desta época, embora L&PM, a já citada Circo e algumas outras arriscassem volta e meia algo. Sinto falta até hoje de materiais como o de Luis Gê e Laerte, mexiam comigo, eram profundos e gostosos de apreciar.
Nossa fase atual está inserida num mundo muito mais globalizado, sou daqueles que acha a linguagem dos quadrinhos atuais cada vez menos marcada com características nacionais, cada vez mais internacional no traço, argumento, formato, conteúdo e comercialmente. Acredito nisso como algo positivo e não só nosso, Portugal e Argentina vão no mesmo caminho há mais tempo que a gente.
A nova safra possui incontáveis artistas que mereceriam ser citados, fiquei maravilhado com a presença deles lado a lado na Comic Con Experience em São Paulo, alguns popstars internacionais convivendo humildemente ao lado de figuras quase sagradas de nosso mercado nacional, para mim foi o melhor do evento.
O que caracteriza parte de nosso mercado de hoje passou a ter força comercial internacional, a ser do agrado de parcelas mais largas do que nós brasileiros e, entre nós, a alcançar parte do público nacional que torcia o nariz para o que produzíamos.
O financiamento coletivo me parece ter parcela de importância disso, democratizou a possibilidade das publicações, imprimiu ousadia que faltou as editoras ao viabilizar trabalhos que essas não arriscaram e permitiu a sensação bacana de fazer parte do publicado, como apoiador ou até mesmo personagem em alguns projetos!
Podemos somar a isso tudo os financiamentos por editais federais e estaduais de obras de quadrinhos, antes muito focados na literatura mas desaborchando mais e mais cada dia que passa para viablização de novas leituras destas e material inédito de qualidade irretocável.
Degustar esse momento e vivê-lo é contribuir para a definitiva consolidação deste mercado, dar um breque na montanha-russa que nos marcou nos quadrinhos nacionais para jovens e adultos até início dos anos 2000.

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