O formatinho cresceu junto com o público leitor,seria o momento dele voltar?
Começamos nossa inserção nos quadrinhos do século XX com os semanários com materiais preferencialmente de origem européia que reproduziam também algo norte-americano, nossas primeiras revistas em quadrinhos de personagens solo ou coletâneas aparecem em formato próximo ao americano e, creio que não intencionalmente, as da editora Abril vão migrando para formatos menores até chegar ao famoso formatinho.
O formatinho esteve em sintonia com um determinado público leitor passando por praticamente todas as editoras (GEP,EBAL,RGE,BLOCH,ABRIL,GLOBO..) até meados dos anos 90 do século XX, ficou como uma marca dos quadrinhos de Maurício de Souza, italianos, Fantasma, Mandrake,Marvel, DC e Disney no Brasil. Creio que reflita um momento de um público majoritariamente infantil e juvenil, um corte de mercado intencional e consciente no processo que consolidou esse formato de publicação mais barato, mais popular e mais acessível.
Os que compraram e viveram esse período, em particular os materiais da Marvel e DC, foram crescendo e amadurecendo tendo acesso a material diversificado que dificilmente teriam se já tivéssemos adotado o formato americano de cara.
Com este processo foi se criando uma ânsia pelo material não só em formato original mas também com texto integral e melhor visualização de imagens, coisa pouco viável no formatinho. Um dos absurdos em formatinho foi a publicação de Camelot 3000 nele, uma atrocidade com o roteiro e a arte da obra.
Os primeiros passos para sair do formatinho no filão dos super-heróis foi a publicação da Espada Selvagem de Conan em formato magazine e das mini-séries Cavaleiro das Trevas, Ronin e Watchmen em formato americano, depois delas veio uma avalanche de publicações neste formato seguida por outras editoras como Globo e Cedibra, prioritariamente de material norte-americano.
Os formatinhos ainda resistiram muito lado a lado do material em formato americano, mas foram sendo mais e mais pressionados a migrar para este também, revistas como X-men e Batman experimentaram o formato na Abril como mensais, algo que se estenderia as demais na famigerada fase Premium com preços salgados em edições caprichadas.
Tal polêmica não afeta dessa maneira as HQs de Maurício de Souza e da Disney, embora tenham material de acabamento gráfico melhor cada vez mais (acredito também em função do amadurecimento de parte de seu público), mas se mantém no filão do formatinho mais acessível ao mercado infantil e juvenil.
Duas considerações me parecem relevantes: todo material norte-americano teria qualidade digna de ser publicado em formato americano? Creio sinceramente que não.
Não era o caso de termos mais publicações em formatinho para acessar as novas gerações e apresentá-las a este conteúdo, algo muito forte com o mangá hoje em dia, mas também do quadrinhos norte-americano? Aqui creio que sim, uma boa iniciativa nesse sentido é o material da DC que a Abril vem publicando, que venha mais de outras editoras norte-americanas!



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